Durante muito tempo a ergonomia foi tratada como assunto acadêmico. Hoje ela é obrigação de compliance: a NR-17 foi atualizada pela Portaria MTP nº 423/2021 e está em vigor desde janeiro de 2022, mudando a forma como o posto de combustível deve cuidar do tema.
O que é ergonomia no trabalho
Ergonomia é a ciência de adaptar o trabalho ao trabalhador — e não o contrário. No posto, isso aparece no dia a dia do frentista: horas em pé, movimentação de peso (tambores de lubrificante, por exemplo), exposição a calor, ruído e vapores, ritmo puxado nos horários de pico e o desgaste do atendimento ao público.
O que mudou na NR-17 (o ponto central)
A grande mudança foi tornar a avaliação ergonômica obrigatória e escalonada:
- AEP — Avaliação Ergonômica Preliminar: virou obrigatória para todas as organizações. É uma triagem mais simples e rápida, que identifica os perigos ergonômicos e subsidia as medidas de correção;
- AET — Análise Ergonômica do Trabalho: deixou de ser o ponto de partida e passou a ser exigida apenas em casos mais complexos ou de risco residual, quando a AEP não é suficiente;
- Integração com o PGR: a ergonomia passou a fazer parte do Inventário de Riscos do Programa de Gerenciamento de Riscos (conforme a NR-1);
- Dispensa parcial: MEI, microempresas e empresas de pequeno porte de grau de risco 1 e 2 ficam dispensadas da AET, mas ainda precisam realizar a AEP para comprovar que não há riscos graves.
Ou seja: mesmo o posto pequeno tem de fazer, no mínimo, a AEP.
As quatro dimensões que a norma cobra
A NR-17 atualizada olha para quatro frentes: o mobiliário e o posto de trabalho (o caixa, a altura da bancada), as condições ambientais (iluminação, ruído, temperatura, conforto), a organização do trabalho (ritmo, pausas, jornada) e a própria tarefa. Ganhou peso também a atenção à saúde mental e cognitiva do trabalhador.
Os aspectos psicossociais (por que o clima também é ergonomia)
Como bem explica o professor doutor Raoni Rocha Simões, coordenador de Engenharia de Segurança na UNIFEI e especialista no tema, a análise dos aspectos psicossociais não é um método único, mas um conjunto que envolve o lado psíquico (individual e subjetivo) e o lado social (coletivo) do trabalho. A experiência de cada frentista e a dinâmica da equipe influenciam a forma de trabalhar e impactam tanto a saúde do coletivo quanto a segurança do sistema. É por isso que a NR-17 hoje pede um olhar que vai além do mobiliário: inclui ritmo, pressão e relações de trabalho.
Como aplicar no seu posto (na prática)
- Faça a AEP das principais funções — frentista de pista, caixa, troca de óleo, conveniência;
- Reveja ritmo e pausas, principalmente nos horários de pico e no turno da noite;
- Ajuste o posto do caixa (altura, cadeira, apoio) e a iluminação da pista e da loja;
- Envolva a equipe: a boa prática ergonômica parte da observação do trabalho real e da participação do trabalhador na busca de soluções;
- Registre tudo no PGR e, em casos complexos, contrate a AET com profissional habilitado.
Para quem quer se aprofundar, o livro “Compreender o Trabalho para Transformá-lo”, de François Guérin e colaboradores, é uma introdução acessível ao método.
Tratar ergonomia com seriedade reduz afastamentos, melhora o atendimento e mantém o posto em conformidade — parte do pacote de leis e normas técnicas para postos de combustíveis.
Dúvidas frequentes sobre ergonomia em postos de combustíveis
Ergonomia é obrigatória no posto de combustível?
Sim. A NR-17 exige, no mínimo, a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) de todas as organizações, incluindo os postos.
Qual a diferença entre AEP e AET?
A AEP é uma triagem obrigatória e simplificada; a AET é uma análise aprofundada, exigida apenas em casos complexos ou de risco residual.
Meu posto é pequeno, preciso fazer avaliação ergonômica?
Sim. ME e EPP de grau de risco 1 e 2 são dispensadas da AET, mas continuam obrigadas a realizar a AEP.
O que a NR-17 avalia?
Mobiliário e posto de trabalho, condições ambientais, organização do trabalho e a tarefa, com atenção também à saúde mental e cognitiva do trabalhador.